O património linguístico angolano na educação formal no namibe: desafios para o ensino superior

Angolan linguistic heritage in formal education in Namibe: challenges for higher education

Authors

  • Teresa de Jesus Portelinha Almeida Patatas
  • Sebastião Tumitangua

DOI:

https://doi.org/10.46932/sfjdv2n2-159

Keywords:

Património linguístico, Educação formal, Língua portuguesa, Línguas angolanas

Abstract

Uma língua é um instrumento de poder. Portanto, as línguas selecionadas nas políticas educativas regulam os contextos socioculturais. Uma pesquisa bibliográfica revela que, apesar da diversidade linguística angolana, a língua portuguesa foi preeminente na educação formal ao longo da história, passando de língua subjugação cultural e de expansão colonial, para ser a língua oficial depois da independência, prosseguindo como a língua de ensino. Na época colonial as línguas angolanas foram banidas da educação formal. Após a independência, passaram a ser consideradas como um importante património cultural e histórico, e, começaram a ser incorporadas no sistema educativo. Cada província angolana enfrentou este desafio. Esta comunicação tem como objectivo mostrar que a integração das línguas na educação formal é uma forma de valorização do património linguístico, focando o caso do Namibe. Nesta província este ensino expandiu-se do Primário para o Médio. Foram inquiridos: o Diretor Provincial de Educação, o Coordenador das Línguas Nacionais do Namibe e formador provincial, Diretores de três escolas e seus estudantes (de três turmas diferentes), onde as línguas nacionais são ensinadas. Os resultados mostram que o ensino das línguas angolanas é considerado fundamental para a valorização do património linguístico. Surge o desafio para o aumento interventivo do Ensino Superior nesta área, e para a sua extensão. Acredita-se que a expansão do ensino das línguas angolanas pode resultar numa maior valorização deste património linguístico, que se deseja preservar, transmitir e divulgar.

 

A language is an instrument of power. Therefore, the languages selected in educational policies regulate sociocultural contexts. A literature search reveals that despite Angola's linguistic diversity, the Portuguese language was preeminent in formal education throughout history, moving from being the language of cultural subjugation and colonial expansion to being the official language after independence, continuing as the language of instruction. During colonial times, Angolan languages were banned from formal education. After independence, they were considered an important cultural and historical heritage, and began to be incorporated into the educational system. Each Angolan province has faced this challenge. This paper aims to show that the integration of languages in formal education is a way to enhance the linguistic heritage, focusing on the case of Namibe. In this province this education has expanded from Primary to Middle School. The following were surveyed: the Provincial Director of Education, the Namibe National Languages Coordinator and provincial trainer, Directors of three schools and their students (from three different classes) where the national languages are taught. The results show that the teaching of Angolan languages is considered fundamental for the valorization of the linguistic heritage. The challenge arises for the intervening increase of Higher Education in this area, and for its extension. It is believed that the expansion of the teaching of Angolan languages may result in a greater valorization of this linguistic heritage, which one wishes to preserve, transmit and disseminate.

Published

2021-06-16